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Mocó do Canna

Blog EntrySep 28, '10 12:05 AM
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Depois do Mocó do Canna adquirir o status de "maior revendedor Brooks do Brasil" (citação presunçosa e de grau de veracidade contestável) tomamos a liberdade de buscar uma alternativa para quem quer ainda mais exclusividade e conforto. Sim, talvez seja possível.

Enviamos nossos agentes diretamente do Parque São Lucas à Lan House mais próxima (depois de aprender o francês Foux-de-Fafa) para entrar em contato com a Gilles Berthoud.


Para quem é um desinformado e mal-nascido (provavelmente na zona last) a Gilles Berthoud é uma tradicional loja situada em Pont-de-Vaux na França e mundialmente conhecida pelos maravilhosos alforges e bolsas que fabrica em pequena quantidade e de forma totalmente afrescalhada, e assim faz também com seus selins.


Tem a mesma concepção dos ingleses Brooks mas prezam também pela leveza, que é até antagônico em um selim de couro (e nem são tão leves assim, não se iluda). Além disso, tem um sistema preciso e exclusivo de fixação do couro que permitem a completa desmontagem do selim para manutenção ou reparos, pois é fixado com parafusos de aço inox e arruelas de latão (o parafuso do nariz traz o número de série gravado em baixo relevo).Oui.


Um outro ponto que merece atenção é que o sr. M. Berthoud aplica técnicas e máquinas CNC moderníssimas no processo de fabricação, coisas inadmissíveis nas outras renomadas marcas. Talvez assim você que é um chato e troca de Ipod a cada ano, goste dos selins Gilles Berthoud e poderá a partir de então encher o saco dos aficcionados pelos Brooks e dizer que o velhinho batendo rebite não tá com nada.

Atenção: estamos aceitando reservas em um lote exclusivíssimo no Brasil dos modelos:

Gilles Berthoud ASPEN NOIR - de randonnée - 525g
Gilles Berthoud SOULOR NOIR - de course - 410g

Difíceis de se encontrar em estoque na maioria das lojas renomadas do exterior e oferecemos um preço especial para este primeiro e talvez único lote no hemisfério.

A entrega será feita em 12 dias, entre em contato IMEDIATAMENTE com o Titio CANNA: mariocanna@gmail.com ou pelo site www.ciclourbano.com.br

P.S. de responsabilidade exclusiva do autor: enquanto o selim de sua bicicleta for feito na China ou Macau, com mão de obra escrava e do mais puro plástico e derivados de petróleo, que você comprou sem nota fiscal, não admito aqui nenhum comentário do tipo "a vaquinha morreu para um francês viado fazer um selim". Também respeitamos os animais e temos nossos valores, portanto guarde seu comentário ou sente direto no canote.

Blog EntryAug 14, '10 2:01 AM
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Por Titio Canna

Roda Fixa -
é um tipo de bicicleta que não tem marchas nem catracas de roda livre, ou seja, você não consegue parar de pedalar em nenhuma circunstância. Todo o sistema motriz (coroa, corrente e pinhão) move-se em conjunto e você fica pedalando igual bobo mesmo na descida.

Gancheira - É aquela parte do quadro onde a roda traseira é fixada. Para montar uma fixa, é necessário que o "rasgo" onde o eixo da roda entra seja horizontal ou semi-horizontal para tensionar a corrente...nos quadros mais modernos este rasgo é vertical, dificultando a montagem. Se quiser tentar, vai fundo, mas eu usaria o tempo que faria isto tomando umas cervejas pois sempre fica uma porcaria.

Quadro pista - é um tipo de quadro específico para fixa utilizado nos velódromos. As vantagens deste tipo de quadro não é a gancheira ao contrário como muitos pensam mas sim sua geometria - altura do solo, ângulos dos tubos, etc. Quando você troca a gancheira daquele quadro de Caloi 10 que tá um bagaço ele não vira "de pista" - só na sua imaginação.

Pinhão - é uma engrenagem que é colocada no cubo traseiro e faz a tração com a coroa, sendo ligada pela corrente. É também uma coisa estranha que umas tias cozinham e servem para comer mas não alimenta nada e tem gosto ruim.

Corrente meio elo - é um tipo de corrente em que os elos não são tipo macho e fêmea, portanto pode-se retirar apenas um elo por vez e dosar melhor o tamanho dela. Só para deixar claro, ela não é mais barata só porque é "meio elo", seu idiota.

Cubo de pista - é um tipo de cubo em que há 2 roscas inversas, uma para o pinhão e outra para o lockring. Este sistema é bem seguro pois não deixa o pinhão soltar e mostra que você gosta de fixas e não montou sua bike numa padaria ou borracharia.

Lockring - é um anel com rosca que serve para travar o pinhão no cubo, evitando que a força empregada faça que ele se desenrosque ferrando tudo. Chamado em terras tupiniquins de "anel de travamento"...mas assim fica muito sem graça e você não impressiona as menininhas.

Cubo contra-pedal - Não tem nada a ver com roda-fixa. É um cubo de roda-livre comum que tem integrado um sistema em que se pedalando para trás aciona-se um freio interno. É muito comum em bicicletas de uso urbano na Europa e nas de carga aqui no Brasa.

Skid - é a técnica de travar a roda traseira usando as pernas, este é o freio de uma roda fixa, o freio dianteiro (se houver) é um freio de emergência. Para executá-la, você precisa aprender a técnica pois você pode explodir seu joelho se fizer alguma cagada.

Skip - é outra manobra usada para frear uma roda-fixa - é o ato de "pular" uma pedalada, parando o giro da roda fazendo a rotação diminuir. Em conjunto com o skid são os freios principais de uma roda-fixa.

Skid points - são pontos no movimento de giro da roda em que a possibilidade de travar o sistema é maior. Cada relação de marcha tem uma quantidade de skid points, e quanto maior o número menos você deixa seu pneu quadrado.

Dentes - são aqueles ressaltos nos pinhões ou coroas, que dependendo da quantidade obtêm-se uma menor ou maior relação de marcha (mais "pesada" ou mais "leve"). É também o nome dado à parte do corpo que você perde quando cai da bike.

700 X alguma coisa - é a medida mais comum para rodas e pneus de roda-fixa. Ele é maior que os aros 26" (de MTB) e menor que os 27" (de Caloi 10) e é somente isso que você precisa saber. Se quiser saber mais vá procurar no Google e perca seu tempo tentando entender estas medidas.

Relação - é o resultado da combinação de tamanhos diferentes de pinhões e coroas. Quanto menor o pinhão e maior a coroa, mais pesada a pedalada fica e vice-versa. É também o nome dado ao que os carros fazem quando passam por você à 150 km/h relando o espelho no seu guidão.

Firma-pé - é uma peça que você coloca no pedal que deixa seu pé travado (óoobvio). É necessário o uso em fixas pois você perderá o pé do pedal e morrerá, além disso é necessário para dar um skid ou skip....recomenda-se não usar com chinelas nem Crocs.

Pronto, você já sabe o básico de roda-fixa para aquele papo cabeça...em breve mais palavras úteis, esteja sempre alerta!






Blog EntryMar 21, '10 8:34 PM
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Por Titio Canna, enviado especial à Inglaterra (Zona Leste)

 Você quebrou seu cofrinho, contou todas suas moedinhas e comprou um lindo e clássico selim Brooks.

"Ele é muito bacana, mas ele é duro e não sei como limpar, acho que vou lavar com OMO e passar lustra móveis nele pra ficar bem bonito..."

Hummm...a probabilidade de você destruir o selim em poucos meses fazendo estas presepadas é grande. As principais qualidades dos selins Brooks são conseguidas e mantidas se forem seguidas as regras de amaciamento e manutenção.

"Então tá, eu acabei de comprar, o que eu faço?"

Leia o manual que acompanha o selim.
Lá você encontrará todas as informações necessárias, mas como você NÃO vai ler mesmo, estou escrevendo este texto. Mas eu lhe avisei.

Guarde a chave de tensionamento:
A chave só vai ser usada depois de 1 ou 2 anos de uso, portanto, nem pense em esticar o couro em um selim novo. Para não correr o risco de querer brincar com a chave, guarde-a dentro de sua adega ou no sótão.

Faça o cadastro e validação da garantia:

Ao adquirir seu selim (após alisá-lo e cheirá-lo por algumas horas) faça o cadastro no site da Brooks para validar sua garantia de 2 anos contra defeitos de fabricação. Basta acessar o endereço abaixo:

http://www.brookssaddles.com/en/Shop_Forever.aspx

Embaixo do selim consta um número de 3 dígitos que é o código de série. Vale dizer que a garantia não cobre quedas, ralados, porradas e todo aquele blá-blá-blá.

Na montagem
:
Cheque se seu canote é compatível com o do selim. Alguns canotes de baixa qualidade são fora de medida e podem (e vão) danificar ou entortar os trilhos.

Após montado e ajustado, verifique se o parafuso de aperto não fica muito alto como na foto:
E também deve doer...

Com o peso do ciclista ele se movimenta e poderá encostar no couro. Se isto acontecer, adeus selim. Simplesmente abra a mão, troque de canote e desta vez compre um decente.

Amaciamento:
O segredo para amaciar seu Brooks: usá-lo.

O selim quando novo é duro e parece meio desconfortável, mas com poucos dias de uso já amolece, fica maleável e você verá do que ele é capaz. Mas nem de perto estará no seu máximo de conforto que só será alcançado com mais tempo de uso. Relatos de usuários citam uma média de 800 milhas para total "quebra" e modelagem do couro, mas isso pode variar dependendo de vários outros fatores.

A cera Brooks Proofide ajuda e muito o amaciamento, pois mantém o couro hidratado e "amolecido", diminuindo o tempo para se chegar no formato ideal.

Há algumas maneiras de amaciá-lo mais rapidamente mas nenhuma é recomendada pelo fabricante. Dar um banho de óleo de motor, molhar e colocar no forno, benzer, passar maionese, etc...se quiser arriscar, faça aquela pesquisa básica no Google e assuma o risco, sabendo que a garantia não cobre os efeitos colaterais destas invenções birutas.

Se você NÃO tem paciência para esperar o couro amaciar, adquira algum modelo da linha "aged": ele já é amaciado na fábrica e o conforto desde o primeiro dia é garantido.
Algum inglês ficou meses sentado neste selim para torná-lo "aged"

Devidamente amaciado, você deverá usar seu selim na mesma bicicleta ou alguma que tenha a mesma postura (ereta, semi deitada, etc). Se você for trocar de bicicleta é imprescindível que elas sejam do mesmo tipo e posição do ciclista, para não alterar o modo como seu corpo apóia e deformar o selim já moldado.

Nota da redação: se você tem o costume de usar a carteira no bolso de trás, comece a guardá-la na mochila, por motivos óbvios.

Manutenção:
Para limpeza e manutenção do couro é recomendado a cera Proofide da própria Brooks. Aplique-a com uma esponja ou com os dedos e deixe agir até a manhã seguinte, depois faça o polimento com uma flanela. Este procedimento deverá ser feito em torno de 4 vezes ao ano. Nada mais que isso se você não usar em condições adversas que pedem maior número de aplicações.


Se seu selim molhar (seu idiota!!!!!) deixe-o secar totalmente, de preferência colocando-o alguns minutos no sol. Depois aplique uma camada de cera Proofide e aguarde mais ou menos uma hora e finalmente dê o polimento. Mas saiba que molhar o selim diminui sua vida útil portanto compre um pára-lamas.

Uma dica interessante é aplicar a cera Proofide na parte de baixo do couro, assim ele vai repelir a água da chuva e encharcar muito menos.

Com o tempo é natural que o couro laceie e fique mais mole que o desejado. Para resolver este problema use a chave de tensionamento que acompanha o produto para esticá-lo, mas dê no máximo 1/4 de volta na porca. Ouviu? UM QUARTO DE VOLTA NA CHAVE, pois se esticar muito você vai estourar imediatamente o couro ou no mínimo rachá-lo.

A chave que deverá ser guardada e talvez esquecida

Basicamente, é isso. Nem é tão difícil tratar de seu selim para que dure muuuuuuuuuitos anos, basta cuidar dele com o mesmo carinho em que foi feito à mão na Inglaterra. Pare de fumar e beber que talvez você viva o tempo suficiente para acabar com um selim Brooks.


Blog EntryAug 16, '09 3:55 AM
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Os 10 mandamentos da bicicleta de roda-fixa

Por Titio Canna

1 - EXISTEM 2 TIPOS DE USUÁRIOS DE FIXAS: Os que caíram e os que vão cair. Esteja equipado com luvas e capacete quando acontecer para voltar logo ao trabalho.

2 - TODA FIXA É SIMPLES MECANICAMENTE E COMPLICADA TECNICAMENTE: Isso significa que ela não tem câmbio, freio, trocador...mas o que sobrou tem que funcionar precisamente, estar bem montado e regulado, coisas que demandam certa técnica e paciência.

3 - O SHELDON BROWN JÁ MORREU: Portanto, não há mais nada a ser inventado em uma fixa, ao montar sua bicicleta pesquise por pessoas e sites que já fizeram e rode com segurança.

4 - BICICLETA ADAPTADA SEMPRE SERÁ GAMBIARRA: Aquela sua Caloi 10 dos anos 70 não nasceu para ser fixa portanto entenda que ela tem limitações, apesar de ser uma ótima relação custo/diversão.

5 - UMA PONTA DE DEDO FAZ FALTA: Sempre esteja atento quando regular, limpar ou qualquer coisa envolvendo seu conjunto de coroa, pinhão e corrente. Ela não distingue um cadarço de um dedo e é muito mais violento do que você imagina.

6 - VOCÊ NÃO É DEUS, APESAR DE SUA FIXA INSISTIR NISTO: Em razão do sistema de pinhão fixo, a impressão é que a bicicleta anda muito e você é um Eddy Merckx tupiniquim...mas não é. Portanto, tenha sempre em mente que se esfregar no asfalto dói muito.

7 - PERIFERIA NÃO É PORTLAND: Você assistiu aquele vídeo bacana gringo e acha que pode sair sem freio, sem capacete, só com a u-lock no cinto. Não, não pode, você está no Brasil e aqui entre um carro assassino e um motoboy tem um buraco ou uma lombada.

8 - MI FIJA NO ÉS TU FIJA: Cuidado ao emprestar sua bicicleta, ao ser gentil com um amigo você poderá matá-lo. De verdade.

9 - CONHEÇA SUA BIKE COMO A SI MESMO: Nenhuma bicicletaria saberá fazer um serviço na sua fixa, salvo raras exceções. Então, leia, aprenda e saiba como tudo funciona e faça você mesmo, google é vida.

10 - LEMBRE-SE DOS OUTROS 9 MANDAMENTOS: Decore-os e nunca esqueça nenhum, principalmente o décimo.

Texto por Titio Canna e de uso/linkagem livre, desde que citado a fonte!
 

Blog EntryJul 18, '09 2:03 AM
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Por Titio Canna, da redação

"Durante anos, o aço levou pessoas ladeira abaixo, a subidas sem fim, ou através de vastas imensidões...e isso foi feito mais e mais vezes e com os mesmos quadros. O aço tem durabilidade, absorvência, e "sentimento"...se alguns quilos a mais lhe preocupam, então pedale um pouco mais, coma um pouco menos, e os perca na sua cintura."

É natural numa conversa entre ciclo-nerds, você lembrar daquela sua Caloi Aspen verde-neon que tinha na adolescência, que era muito resistente e...PESADO pacas. Sim, era um quadro de aço carbono - ou "ferro" como muitos dizem - e constata que sua mountain bike moderna de alumínio pesa muito menos.

Que legal, viva a tecnologia! E papo vem, papo vai, você se lembra que naquela mesma época um fulano tinha uma bicicleta que veio "da gringa" que também era de ferro, mas era levinha e muito gostosa de andar.

"Poxa, todo mundo pagava um pau, que bike era aquela mesmo?"

Alguém responde que provavelmente era uma bike importada com quadro de CROMOLY. Heim? Que mer** é essa?

O nome e o material

Os quadros chamados comumente de "de cromoly" - que em língua tupiniquim vira aço cromo-molibidênio, tradução do latim "cromium molybdenum" - são feitos de tubos de uma liga especial de aço com alta concentração de cromo.

Este tipo de liga tem menor peso por cm2 e maior resistência que os tubos de aço carbono comuns encontrados nas bicicletas mais simples. Por serem mais resistentes também podem ser de menor espessura, diminuindo ainda mais o peso total do quadro.

Para manter a resistência eles são mandrilhados em uma máquina para ser afinados em certas regiões onde sofrerão menor esforço e mantendo-os mais espessos nas regiões de maior responsabilidade. Os tubos do quadro poderão ser "double butted" ou "triple butted", ou seja, de duas ou três espessuras, onde a maior espessura estará nas junções, deixando a parte fina do tubo nos centros.
Aço, solda em latão e carinho: é assim que se faz (quadro Masil TT português)

Os tempos de ouro do metal

Como sempre os modismos são cruéis. Com o advento do alumínio no fim dos anos 80, os quadros de cromoly perderam gradativamente espaço em todo o mundo com o desenvolvimento de novas ligas de alumínio mais resistentes e de baixo peso.

No Brasil

Aqui no Brasil, onde nunca foi fabricado em massa um quadro de cromoly, a indústria se valeu do uso do alumínio pois era (e ainda é) um material barato, tanto como matéria prima como em custo de processo. O aço tem que ser tratado em processos mais caros para ter um mínimo de qualidade, por isso os quadros "de ferro" baratinhos aqui no Brasil enferrujam com tanta facilidade. Já o tubo de alumínio vem quase pronto da fábrica, até seu custo de transporte é menor...

Nos anos 80, quem tinha uma bicicleta "gringa" de cromoly era o rei da rua, só perdia para quem tinha um Escort XR3 conversível ou um MP Lafer com equalizador TOJO.

Quadro de Caloi 10 Triathlon: não se engane, ela era 100% produzida no Japão

Lá fora


As grandes fabricantes americanas de quadros nunca abandonaram suas linhas de cromoly, mas como a escala de produção diminuiu o custo subiu e acabou tornando a vida do cromoly ainda mais difícil. Ele continuou sendo usado por lá (e é até hoje) nos quadros para cicloturismo, BMX e trial. Na Europa, após a morte da indústria de bicicletas francesa, resistiu principalmente na Itália e Inglaterra onde a resistência ao uso do alumínio sempre foi maior.

A Itália e Inglaterra tiveram esta maior resistência ao alumínio pois são tradicionais fabricantes de tubos e onde residem a Columbus, de Milão, com seus mitológicos Aelle e Nivacrom; e a Reynolds, de Birmingham, com o 531 e o 853, que levaram grandes nomes do ciclismo à vitória e jamais serão esquecidos.


Selo de identificação da Columbus em um quadro Colnago Master

Agora me diga...por que escolher o cromoly?

Para os verdadeiros apreciadores do cromoly, não há nenhum material mais apropriado para construção de uma bicicleta. De fato, comparado aos carbono e alumínio, é um material muito mais elástico, que absorve os impactos e se movimenta de acordo com as pressões do ciclista em relação ao piso. Daí vem a famosa frase "O aço tem vida..." - sempre disparada pelos apaixonados do velho e bom metal.

Outras qualidades importantíssimas são a tenacidade e a resistência à fadiga. Este material confere uma vida útil extremamente longa aos quadros, seja qual for a utilização: na estrada lisinha ou tomando porrada na terra.

Quadro Bianchi de tubos Tange específico para levar porrada (MTB)

Somente quem rodou com um quadro de cromoly de qualidade, sabe da maciez e dinâmica que ele proporciona. Talvez isso possa passar despercebido - pois você é um incrédulo modernoso e sem coração - mas sentir a resposta do aço em um sprint ou nas pedaladas em uma subida nervosa nos faz imaginar que estamos dançando num piso de madeira...

P.S.: Este texto retrata a minha opinião e você pode discordar completamente. Portanto, se você ama seu quadro de fibra de carbono, parabéns, mas venda seu quadro véio de cromoly para mim bem baratinho.

Saiba mais:
www.tange-design.com
www.reynoldstechnology.biz
www.columbustubi.com




Blog EntrySep 30, '08 1:13 PM
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Como pintar
sua bicicleta
Por Titio Canna

Bem, a uns 3 anos atrás eu havia pintado em casa uma Brasília 77 inteira, e consegui vendê-la depois pelo dobro do preço...então porque não pintar minha bicicleta?



Para pintar uma bike, temos 3 alternativas:

A primeira é dar uma lixada no quadro, empapelar todos os acessórios e pintar com o spray. E provavelmente vai ficar uma porcaria, mas é barato.

A segunda é mandar para a bicicletaria e pagar para eles fazerem. Pode ser que fique bom, pode ser que fique uma porcaria, mas vai te custar uns R$ 100,00 no mínimo.

A terceira é a que optei: fazer em casa, com todas as minúcias. Pode ser que fique uma porcaria também, mas você se diverte pacas. Não é um processo rápido, nem tão barato, se desejar usar as técnicas e produtos da pintura automotiva.

O material

Você pode optar por vários tipos de tinta, cito estas como as mais comuns:

PU: a mais cara, mas não necessita de verniz e é a que mais resiste à pancadas e a produtos químicos, porém não aceita verniz rápido, só bi-componente.

Poliuretano
: é uma tinta moderna, relativamente barata, sem brilho final portanto necessita de verniz, de qualquer base.

Sintética: tem bom preço, não necessita de verniz, e descasca com maior facilidade e é menos amigável com tintas de outras bases.

Duco:
uma versátil e de fácil manuseio. As Ducos modernas permitem uma ótima aderência e boa resistência.

O que usei:

1 Removedor pastoso 1/4l Maxi Rubber
1 Fundo PU 1/4l Maxi Rubber
1 Catalizador de Fundo
1 Tinta 1/4l Laranja Mercedes-Benz Lazzuril
1 Endurecedor
2 Litros de Thinner
1 Wash primer
1 Catalizador de wash primer
1 Ferrox
1 Desengraxante
1 Massa Poliéster
Lixas 80 de aço, 230 de aço, 500 wet or dry, 1000 d'água e 1200 d'agua.
Massa para polir nº 2
Cera automotiva
Cera 3M Shield Finish
Estopa
Algodão para polimento
Palha de aço média

As ferramentas

Usei um monte, mas tinha tudo na mão. Caso não tenha tudo, é possível improvisar.

Furadeira com escova de aço/latão
Esmerilhadeira com disco de desbaste fino
Lima mursa fina
Espátula
Luvas de borracha
Taco de borracha para lixamento
Compressor com pistola
Máscara de pintura

O começo

Desmonte toda sua bike, separando as peças de modo que consiga montar tudo depois sem sobrar ou faltar alguma peça. Você pode em seu tempo livre entre as etapas da pintura do quadro ir limpando, polindo e lubrificando tudo.

Com a bicicleta desmontada, apóie o quadro em um chão plano e veja se está torto, pois a hora de dar uma boas porradas nele é agora. Alinhe-o com a "marreta de precisão", obviamente não arregaçando ainda mais seu quadro. Só faça se tiver certeza do que está fazendo.

Nota: se você tiver e souber usar um maçarico e quiser "dar um calor" em alguma parte do quadro para alinhar, o faça NA MANHA pois estes tubos destemperam com facilidade.

A remoção

Antes de receber o removedor do mal

O resultado final da pintura depende de CADA etapa anterior, tenha isso em mente. Se você não removeu a tinta velha por inteiro, o fundo não vai cobrir esta imperfeição, muito menos a tinta final. A PINTURA FINAL É UM ESPELHO DO TRABALHO EMPREGADO NO PROCESSO.

Portanto, vamos remover toda a tinta velha para deixar o quadro no aço, partindo do zero e
conseguindo um resultado final melhor.

Eu prefiro o removedor pastoso pois limpa mais rápido, principalmente pinturas antigas, mas também pode ser usado o famoso Pintoff.

Titio Canna e o olhar 43

Dica do Titio Canna: Use sempre luvas de borracha e óculos de proteção ao usar estes produtos! Este removedor é extremamente tóxico, quase uma bomba, e queima a pele instantaneamente.

Nem preciso dizer se pegar no olho né? Se você vacilar e espirar na pele (seu idiota!!!!), lave com água que o ardor passa, a pele só vai ficar um pouco avermelhada. Talvez você tenha alguma doença futura em razão disso.

Saia deste quadro que não lhe pertence

Vá aplicando com um pincel e espere em torno de 15 minutos para começar a raspar. No geral, uma mão já arranca boa parte, a segunda retira as bases e a terceira somente irá dar a "lapidada" final.

Nos cantinhos sempre é difícil de remover, para isso use palha de aço média (nº 2) lambuzada com o removedor.


Lixa grossa e paciência = dedo arrebentado

Nos cantos em que não dá para tirar por bem, use da força: mande a furadeira com uma ponta de escova de latão que tudo vai brilhar na sua vida.

Se não sai por bem, sai por mal

Neste caso, um quadro de Caloi 10, que é bem mal acabado, as soldas de latão são altas, com respingos...fora as marcas de pancada que ela levou com o tempo; usei a esmerilhadeira para dar um melhor acabamento às soldas, usando um disco de desbaste.

E mais um aviso: não seja trouxa de usar uma esmerilhadeira se não está habituado, elas giram a 24.000 RPM e separam seu dedo com precisão e rapidez. Se for usá-la, use o MARDITO ÓCULOS DE PROTEÇÃO! Olho não vende no EBAY.

Dada a esmerilhada, é hora de paciência: use a lima para acessar os locais mais difíceis e depois uma lixa grossa de aço. Na manha, você vai dando o acabamento que as fábricas brasileiras não deram. Finalize com uma lixa 300 e tá lindo.

Eu ainda corri uma lixa 200 no quadro para achar melhor as imperfeições. Após a total remoção, neutralize o removedor com thinner, eliminando todos os resquícios, atentando nas reentrâncias e furos do quadro.


Pronto, seu quadro está melhor do que quando saiu da fábrica!

Limpinho, cheirosinho e gostosinho

Agora dê um banho de Ferrox, que é um neutralizador de ferrugem, e evita o aparecimento de
ferrugem daqui a alguns anos. Como seu quadro está no aço, em contato com o ar em poucas horas ele ficará vermelho de ferrugem.

Evite beber Ferrox

Aplique uma camada bem fina, com uma estopa, e deixe secar até o quadro escurecer. E não se esqueça de usar luvas para manusear o quadro sem pintura, pois o ácido e gordura das mãos fazem com que ele enferruje ainda mais rápido.

Preparação do Quadro

Com o quadro devidamente "descascado" você poderá ver se há defeitos antes de começar a pintura.

Limpe-o completamente, usando o thinner e depois o desengraxante. Aplique uma camada de wash primer, que é um fundo fosfatizante que não pode ser lixado, para poder manusear o quadro a partir de então.

Agora é a hora da massa! Os funileiros a usam à rodo para eliminar os amassados de 1 metro de profundidade nos carros, mas aqui nós vamos usá-la para sua real função: tapar as IMPERFEIÇÕES do quadro, ou seja, será usada com parcimônia.

Prepare o "barro" em pequenas quantidades pois a vida útil dele é de uns 5 minutos. Aplique nos vincos, ralados, amassadinhos...

Sempre cubra uma área um pouco maior que o amassado, e aplique uma camada alta de massa, pois quem dará a forma será a lixa e seu feeling, não o barro.

Após rebocar toda a bike, ela vai ficar assim:

Massa logo após a aplicação (dá-lhe barro)

Mas vá na manha porque se deixar muito barro, provavelmente ele irá se soltar numa pancada ou na torção natural da bicicleta.

Após seco, desbastei com lixa 200 até chegar em poucos milímetros do que queria, aí fui aumentando a lixa, terminando com a 800. Ao passar a mão sobre o reparo, você não poderá sentir a emenda da massa, pois se sua mão sente, a tinta não irá cobrir. Aqui valem aquelas aulas de artes plásticas que você fez um dia.

Massa depois de lixada

Preparação da pintura

Agora vamos brincar com tintas! Tudo que estiver num raio de 30 metros vai ficar da cor de sua bicicleta, portanto, escolha um lugar apropriado. Em seu quarto, ou na cozinha, talvez sua mãe vá chiar um pouco.

Começemos pendurando a bicicleta, pois você precisa de espaço para aplicar a tinta; eu improvisei um varal e pendurei o quadro e garfo com arame no cano central e no topo do garfo.
Use o varal da mamãe

Desengraxe o quadro, aplicando o desengordurante, não esquecendo nenhum canto. A cada vez que manusear o quadro, reaplique o desengordurante antes de mandar mais tinta.

Fundo

Mande primeiro um fundo mais grosso pois ajudará a cobrir as imperfeições, catalizado conforme instruções da embalagem, para que não seja necessário duas demãos.

Comece aplicando nos locais mais difíceis, com alta pressão na pistola, passando para parte inferior do quadro e por fim, as partes mais visíveis.

Você sempre sonhou com uma bike bege

Dica do Titio Canna: pinte em um local arejado, pois são materiais tóxicos, mas não ao ar livre - quando você estiver pintando, com certeza uma nuvem de pó irá colar na sua bike ferrando tudo.

Uma opção é molhar todo o chão ao redor, evitando que algum pó suba e também que o pó da tinta grude no chão (caso você esteja pintando na cozinha). Mas saiba que a umidade em dias frios pode dificultar a aderência da tinta.

Depois de completamente seco (em torno de 1 hora), você irá correr uma lixa média (800) para tirar os defeitos e deixar tudo LISINHO. É uma etapa importantíssima, pois o que fizer aqui será refletido na pintura final, sem dúvida.

Lixe com calma, sentindo as imperfeições ou eventuais escorridos (seu idiota). Quebre toda a tinta que alcançar tomando cuidado para não "velar" ou seja, lixando muito e arrancando todo o fundo, principalmente nas arestas.

Veja a superfície lisa

Só pra avisar, caso a pintura vele, será necessário a aplicação de primer nesta área, e retomando o processo.

A pintura, finalmente

Agora é a hora da verdade, vamos distinguir os Homens dos meninos. A hora de depositar a tinta no quadro - se você seguiu os passos anteriores, sua bike está lisa como bunda de bebê e louca para ser pintada; e ela será.

Faça a total limpeza da pistola, pois não podemos errar mais: se houver uma sujeira ou resto de outra tinta, ela vai parar na sua pintura...gaste o quanto for de thinner, para não ter que gastar com outra pintura ou com Valium.

Prepare a tinta como manda a embalagem, atente aos tipos de solventes ou endurecedores compatíveis com seu tipo de tinta, que normalmente não aceitam misturas.

A primeira demão é só uma "poeira" para ajudar na aderência da tinta. Pulverize o quadro no geral com esta casca extremamente fina e aguarde a secagem completa.
.
Apenas uma poeira. Notem as falhas nos reflexos.

A segunda demão, agora estilo "seca": você vai pintar toda a superfície, cobrindo-a por igual, mas sem aplicar muita tinta, ou seja, a superfície ainda não estará coberta com uma camada substancial de tinta, não será lisa e não terá brilho.

Esta camada irá espelhar a demão final.

Agora, a terceira e última demão: tudo que puder jogar de tinta, uniformemente, sem demora. Esta etapa é crucial, pois como se aplicará uma quantidade grande de tinta, ao menor descuido ou "dedo pesado" inevitavelmente a tinta escorrerá.

Respeite as formas do quadro, aplicando a tinta em movimentos lógicos no desenho do quadro e mantenha a distância ideal entre a pistola e o quadro (em torno de 15 cm).

Tudo pintado, inclusive o chão, eu...

Aqui a tinta se apresentará da forma final, caso não esteja utilizando poliuretano (que ainda leva o verniz) também com o brilho quase final.

Deixe secar como manda a embalagem da tinta, em um local de preferência quente, para uma secagem mais rápida e eficaz. Estufas são bem vindas.

Acabamento

Depois do "trabalho sujo" vamos à perfumaria: Lixamento, polimento e enceramento.

Quem nuca viu uma pintura sendo feita acha que está lidando com algum biruta: "Mas você acabou de pintar esta mer**, está tão bonito, e vai LIXAR TUDO DE NOVO?"

É. Para tirar as pequeninas imperfeições que ficam na superfície da pintura, e dar um aspecto de "rostinho de boneca" é necessário lixar a sua linda pinturinha.

El taco assassino

Use lixa d'água 1200 com as mãos, pois como as superfícies são tubulares, usando um taco facilmente a pintura irá "velar". O taco eu só usei para lixar as gancheiras, mas na manha.

Sempre usando bastante água para não empastar a lixa, seque a superfície regularmente para ver se já foi lixado o suficiente. Em alguns cantos se poderá usar lixa 1000 para desbastar mais, mas deixe tinta suficiente para dar a lixada final com a lixa 1200.

Cuidado extra deverá ser tomado nas arestas, onde fica depositado menor quantidade de tinta, portanto não lixe com força nelas. Aqui vale a calma e aquele cuidado que você tem quando pega no colo um bebê recém-nascido de um amigo.

Após toda lixada, a bicicleta está com um aspecto péssimo:

Não queira se matar, tudo voltará ao normal

Limpe o máximo que der com um pano úmido pois agora é a hora do polimento, onde realmente todo o trabalho da pintura vai aparecer.

Use massa de polir nº 2 ou nº 3, das mais finas. Poderá ser utilzado uma politriz e boina de carneira, mas como a superfície é pequena, apliquei na mão mesmo. Paciência e boa iluminação são primordiais. Afinal, esta é a parte mais bacana de tuuuuudo isso.

Agora a belezura aparece

Após a superfície já brilhando, aplique uma camada de cera automotiva, para segurar mais o brilho e tirar a "gordura" restante do polimento. Se quiser investir mais uns R$ 40,00, compre alguma cera líquida cristalizadora 3M para um extra brilho.

O resultado final será uma pintura feita para resistir ao tempo e as pancadas, bonita e de alto brilho, ou uma porcaria, pois algo pode ter dado errado.

Mas o melhor de tudo é que o thinner que sobrar você pode cheirar à vontade.


Boa sorte e seja feliz!






Blog EntrySep 1, '08 2:07 PM
for everyone
Meu primeiro contato sobre as bikes de roda-fixa foi na Massa Crítica de Agosto de 2007 em Montréal.

Lá a galera já rodava com elas em peso no dia-a-dia, rolavam os bike-messengers, e trouxe a vontade de ter uma na bagagem...

Passado mais de ano de meus rolês pelo Canadá, chegou a hora: nossos amigos Toni e Albert já tinham convertido suas Caloi 10 e isso "me deu coceira" ainda mais.

Decidi por fazer 100% da conversão em casa não somente para reduzir custos mas também para ver o que realmente compensa fazer e o que é melhor mandar fazer fora.

Você poderá converter qualquer bike desde que a gancheira para a roda traseira seja do tipo horizontal ou semi horizontal para tensionar a corrente.
Em bikes modernas, em que o suporte para roda é vertical, é necessário adaptar um suporte horizontal envolvendo trabalhos de solda difíceis ou usar correntes half-link, mas as relações de marcha ficam limitadas e nem sempre se consegue esticar a corrente à contento.

O projeto

A minha idéia sobre a roda-fixa era de montar uma bicicleta simples parecida com as de velódromo antigas. Pintura em cor sólida, o mínimo de peças modernas ou com designs "arrojados".

Para a base, usei uma Caloi 10 1978 que já estava comigo a mais de 15 anos, guerreira.

Minha guerreira bem maiada

Decidi por convertê-la e não mantê-la original pois a bike já estava bastante modificada com várias peças não originais.

Aconselho a galera analisar se a bike é passível de ser restaurada originalmente, preservando suas características originais, ou se está bem ferrada e/ou modificada. Não altere uma bicicleta original em fixa, procure por aí algum quadro ou bike bem ferrada para fazer isso. "Preserve sua bike antiga pois ela está em extinção".

As ferramentas

O básico-mínimo-essencial-necessário para o trampo é:

- Jogo de chaves combinadas do 6 a 17;
- Chave "L" 14mm para parafusos do pedivela
- Alicate tipo Bomba d'água;
- Alicate de corte;
- Alicate universal;
- Marreta leve ou martelo de borracha pesado;
- Chave Philips e fenda de vários tamanhos;
- Jogo de chaves Allen variado;
- Extrator de corrente;
- Chave 32mm de caixa de direção;
- Chave de movimento central
- Chave de pinhão com corrente
- Chave para anel de travamento
- Esmerilhadeira, esmeril ou lima (e muito braço)

1ª Etapa - Desmontagem

Esta caixa estava soldada com ferrugem...TOME MARRETA!

Aqui não tem segredo: borrife óleo WD40 em tudo que encontar pela frente e saia desmontando. Algumas das peças estará enferrujada e será difícil de ser retirada, mas com o já citado banho de óleo e umas pancadas com a "marreta de precisão" tudo se resolverá.

Guarde as peças para usar algum dia ou as doe, não dispense no lixo...alguém pode reutilizá-las e você fará um amiguinho. E sempre pense: não troque uma peça antiga de qualidade, mesmo que meia ferrada, por uma chinesa novinha e lindinha - as antigas são feitas para durar, as chinesas são feitas para ser baratas.

As principais dificuldades na minha desmontagem foram o guidão (a mesa e o spander estavam soldados com ferrugem) e o movimento central. Ambos foram removidos com umas porradas de martelo de borracha e uns palavrões para motivar.

Ao desmontar sua bike, você vai se deparar mais ou menos com isto:

A garrafa de Tubaína continha Thinner...

2ª Etapa - Garimpagem de peças

Você pode decidir montar uma fixa com peças modernas como a do Albert. Como minha idéia era utilizar o mínimo de peças novas e manter o estilo setentão, somente comprei estas:

- Caixa de direção Shimano 105 standart de rosca
- Coroa com pedivela 44 dentes - GTS p/ BMX UPDATE: substituído por Sugino 44 dentes
- Corrente - 1/8" Grossa (Ching Ling) UPDATE: substituída por uma KMC
- Pinhão - 20 dentes (sem marca) UPDATE: substituído por um Velo 18 dentes
- Canote - 24,02mm (Kalloy)
- Raios de aço inox
- Pneus - Kenda 1-1/8"
- Câmaras - CST
- Fita para guidão (Ching Ling)

Tudo sempre em alumínio polido para "ornar" com o restante de peças de época.

Comprei usados uma mesa e guidão Philippe de alumínio, italianos, coisa clássica que um trouxa (não tenho outro adjetivo) jogou fora na bicicletaria e comprei baratinho.

Um lance legal é trocar todas as porcas e arruelas por novas, de preferência em aço inox. Deixa a bike com um acabamento bem superior e custa pouco.

3ª etapa - Pintura

A mamãe vai brigar...fez bagunça...

A pintura é um capítulo à parte, pois é um trampo cheio de detalhes. Veja em meus posts um relato básico sobre como pintar sua bike.

4ª Etapa - Pré-montagem e pré-ajustes

Verifique tudo antes de se trancar na garagem: se tratando de uma adaptação, alguma coisa pode não encaixar e você vai perder o fim de semana. Eu fiz estes pré-ajustes antes mesmo da pintura, tendo assim maior liberdade de fazer alguma mudança ou dar uma pancadas sem medo de estragar a pintura novinha. Vale MUITO a pena esta viadagem toda, posso garantir.

Meu principal problema foi que a coroa não encaixava o suficiente no eixo do movimento central, e não conseguia alinhar a coroa com o pinhão traseiro.

Isso é muito importante numa fixa, pois se a corrente não estiver PERFEITAMENTE alinhada com o pinhão (montagem coplanar), ela se desgastará rapidamente ou ficará caindo, que invariavelmente irá te jogar longe da bike. Resolvi esmerilhando as pontas quadradas do eixo e dando umas porradas com a marreta de precisão, entrando tudo bem justo (só não espero ter que desmontar isso um dia). Procure um movimento central selado curto (110mm ou 111mm) e seja feliz, eu fiz esta modificação depois e ficou muito melhor.


É só montar o quebra-cabeça de doido

Outra "treta" brava foi a montagem das rodas, é um trampo extremamente chato e nem sempre dá certo. Eu tive que montar a roda dianteira 3 vezes até acertar, quase tacando tudo longe ou tendo um ataque cardíaco, portanto vale a pena mandar montar as rodas na bicicletaria. Isso sem contar o alinhamento...um verdadeiro teste de nervos.

Atenção: a roda traseira deverá ser montada "sem guarda-chuva", ou seja, sem compensamento na centralização, pois afinal não usaremos catracas múltiplas e ela ficará totalmente paralela olhando-se de frente.

Teste se a mesa encaixa perfeitamente no garfo e se a bitola dos eixos casam com as gancheiras, se necessário abra a traseira do quadro. A minha mesa estava levemente arregaçada devido à aperto excessivo e tiver que moldar sua base com o martelo de funileiro.

Se tudo está funcionando, agora é hora de limpar tudo que vai voltar para a bike, polindo, pintando, lubrificando...use gasolina para eliminar graxa e cola, em peças de alumínio; em peças pintadas, use cera automotiva. Aplique Kaol nos cromados ou alumínio depois de limpos.

Abaixo a sequência de recuperação da mesa, este processo poderá ser feito em qualquer peça de alumínio:

A mesa antes
A mesa depois

A sequência é:

Ácido muriático para limpeza;
Lixa 50 de ferro, para tirar os maiores amassados;
Lixa 230 para eliminar as marcas da lixa grossa;
Palha de aço média;
BomBril;
Lixa 1000 já dando o acabamento;
Massa para polir nº 2 para as última imperfeições;
Kaol ou Brasso para dar o brilho final.

É trabalhoso mas o resultado final compensa - é gratificante ver o explendor da peça quando era nova, depois de tantos anos sendo surrada e malhada.

As partes mecânicas (rolamentos, movimento central, caixa, corrente, etc) devem ser limpas com gasolina e se necessário deixe de molho algumas horas para eliminar toda a graxa velha.
Se liga no caldo que sai

Quanto ao cubo traseiro, há três opções:

Cubo comum de rosca:
O pinhão será rosqueado direto no cubo e seu travamento efetivo será dado com um anel de caixa de centro, em contra-aperto e usando líquido trava-roscas (Locktite é uma boa marca). AQUI VOCÊ TEM QUE ARRANCAR SANGUE! Se esta p*&%$ se soltar, você irá cair e/ou morrer com certeza. E só funcionará com cubos de aço, pois a possibilidade de um cubo de alumínio espanar com esta gambi é grande. O custo mais baixo de todos, mas também o mais suscetível à problemas.

Cubos de freio à disco:
Usando um cubo de freio à disco você pode furar um pinhão com a mesma medida de um disco de freio e parafusá-lo diretamente no cubo. É um sistema barato, mas é uma gambiarra como as outras e cada vez que quiser trocar o pinhão terá que furar um novo e parafusá-lo, além de ficar feio paca (perceba que particularmente eu não gosto, mas muita gente se dá bem com este sistema).

Cubos especiais para pista:
Estes cubos tem um espaçamento apropriado para uso de pinhão fixo e 2 roscas contrárias: normal para aperto do pinhão e esquerda para aperto do anel de travamento. Custa uns trocos preciosos que você gastaria em cerveja, mas é garantia de tranquilidade pois seu pinhão nunca vai soltar ou espanar a rosca do cubo (se você não for um idiota). Outra vantagem é que se pode colocar dois pinhões, um de cada lado, posibilitando a troca de relação facilmente. Veja à venda aqui: www.ciclourbano.com.br

5ª Etapa - Montagem Final

Graxa é tudo

Eu montei nesta sequência:

Movimento central, com os pedivelas, sempre lambuzando SEM DÓ de graxa nova, de lítio. Lembre-se: GRAXA NUNCA É DEMAIS! A graxa garante o funcionamento suave, espele água e dá vida longa às peças.

Caixa de direção - monte o garfo com a mesa, apertando levemente as peças para ir ajustando aos poucos; cuidado pra não montar com a rosca errada, pois senão terá que fazer uma nova rosca no garfo, aí somente com a ajuda de um torneiro.

Roda dianteira - Os eixos sobraram muito para fora do garfo, portanto cortei o excedente com a esmerilhadeira e disco de corte fino. Aplique verniz transparente na parte cortada para não enferrujar.

Roda traseira - Deverá ficar bem centralizada, como o quadro de Caloi 10 é para uso de marchas usei espaçadores de diversos tamanhos para não fechar o quadro;

Corrente - atenção para o tamanho dela, corte-a de tal foma que você tenha espaço para puxar a roda traseira para esticá-la de acordo com o pinhão/coroa utilizado;

Pedais - muito cuidado com o aperto das roscas, ou perderá os pedivelas; note que eles tem escrito ao lado da rosca "L" (left) - esquerdo e "R" (right) - direito. As roscas são invertidas, portanto sempre aperte-as no sentido em que se pedala.

Guidão e fitas, sem segredo;

Canote e selim, é necessário passar graxa ou vaselina dentro do tubo do selim mesmo que seu canote seja de alumínio (que também oxida e trava);

Freio dianteiro, sussa;

Tudo no lugar, ajuste as peças e vá dando o aperto final. Muita atenção no aperto da mesa e das rodas, para preservar seus dentes. Quem tem acesso à um torquímetro é um instrumento ótimo para apertar tudo na medida sem exageros.

O resultado final é este:

Não ficou uma lindura?

Mantive o freio dianteiro coisa que alguns rejeitam, mas devido à topografia de São Paulo e seu trânsito assassino ele se fez necessário. Acho mancada optar por andar sem freios em uma sociedade onde você também é responsável pelo próximo - não estou à fim de atropelar uma criancinha porque eu acho que sou malandrão e ando sem freios. Mas você faz o que quiser, tranquilo?

O freio devidamente limpo e polido

Nas fotos ainda faltam os firma-pés, necessários numa fixa para controlar a frenagem e dar o tradicional "skid" que é o travamento da roda traseira. Já estão devidamente montados e sem dúvida que são primordiais em uma fixa.

Adesivos CALOI UM (e não tô certo?)

O custo geral da reforma/conversão fazendo tudo em casa, gira em torno de 60% do preço de mandar fazer fora (excluindo a pintura).

Se você não tem ferramentas ou tempo e não gosta de ficar com as unhas pretas de graxa, mande para alguém fazer e poderá ficar mandando e bancando o chato. É claro que fazendo você mesmo conhecerá cada detalhe de sua bike tendo muito mais carinho por ela. Mas demanda tempo, dedicação, ferramentas, espaço e algum conhecimento...
O famoso "pinhão preso tupiniquim"

Uma dica final: use sempre o capacete. Pode ser feio, esquenta a cabeça...mas o grande barato é se prevenir, POIS CRÂNIO NÃO PEGA SOLDA. 


Online Seller

Mario Canna

Contato pelo email: canna@ciclourbano.com.br